Qualidade de vida, infraestrutura de tecnologia e custo de vida relativamente baixo para o padrão brasileiro fizeram de Florianópolis um dos destinos favoritos de profissionais remotos. Mas a cidade está preparada para essa demanda?
Quando Mariana Peixoto, desenvolvedora de software de 31 anos, decidiu deixar São Paulo em 2023, Florianópolis foi a escolha natural. "Eu queria praia, qualidade de vida e internet boa. Floripa tem tudo isso", ela conta, sentada em um café no bairro Lagoa da Conceição, com o notebook aberto e vista para a lagoa.
Mariana faz parte de um movimento que transformou a capital catarinense em um dos principais destinos de nômades digitais do Brasil. Segundo dados da Prefeitura de Florianópolis, o número de profissionais que trabalham remotamente e escolheram a cidade como residência cresceu 85% entre 2021 e 2025.
O perfil é variado: desenvolvedores, designers, consultores, criadores de conteúdo, profissionais de marketing digital. O que une esse grupo é a possibilidade de trabalhar de qualquer lugar e a escolha por uma cidade que oferece qualidade de vida acima da média.
Florianópolis tem algumas vantagens objetivas. A infraestrutura de internet é boa para padrões brasileiros — a cidade tem cobertura de fibra óptica em mais de 80% dos domicílios. O ecossistema de tecnologia é consolidado, com empresas como Totvs, Involves e diversas startups com sede na cidade. E o custo de vida, embora tenha subido nos últimos anos, ainda é inferior ao de São Paulo e Rio de Janeiro para padrão equivalente.
Mas a chegada de tantos profissionais de alta renda também trouxe tensões. O mercado imobiliário aqueceu: o preço médio do aluguel em bairros como Jurerê e Lagoa da Conceição subiu 40% em três anos, pressionando moradores de renda média. "A cidade está ficando cara demais para quem é daqui", diz o taxista Gilberto Machado, 48 anos, que nasceu em Florianópolis.
A Prefeitura tenta equilibrar o desenvolvimento econômico com a preservação da identidade local. Em 2025, foi lançado o programa Floripa Digital, que oferece incentivos para empresas de tecnologia que contratem moradores locais. Mas os resultados ainda são modestos.